Emoção marca despedida de piloto da Core morto mais de um ano após ser baleado
Sob sirenes ligadas e acompanhado por helicópteros da Polícia Civil, o cortejo que levou o corpo do piloto Felipe Monteiro Marques atravessou ruas e avenidas do Rio na tarde desta terça-feira (19), em uma despedida marcada por homenagens de colegas de farda, familiares e amigos. O agente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) morreu no último domingo (17), mais de um ano após ser baleado durante uma operação policial na Vila Aliança, na Zona Oeste da capital.
O corpo saiu da sede do Serviço Aeropolicial (Saer), na Lagoa, Zona Sul do Rio, em um caminhão do Corpo de Bombeiros. O comboio passou pelas orlas de Ipanema e Leblon, seguiu pelo Aterro do Flamengo e pela Avenida Brasil até chegar ao Cemitério da Paciência, no Caju, Zona Norte, onde ocorreu a cremação.
Durante a passagem pela orla da Zona Sul, cinco helicópteros sobrevoaram o cortejo em formação. Viaturas acompanharam todo o trajeto.
Felipe tinha 46 anos e atuava como co-piloto de um helicóptero da Polícia Civil quando foi atingido por um tiro na região da testa, que perfurou o crânio, em março de 2025. O disparo ocorreu durante uma operação na Vila Aliança.
Segundo relatos divulgados à época, o policial perdeu cerca de 40% do crânio e passou por diversas cirurgias e procedimentos médicos ao longo do período de internação.
Após meses hospitalizado, ele recebeu alta do Hospital São Lucas, em Copacabana, em dezembro do ano passado, para iniciar um processo de reabilitação. A recuperação, porém, foi interrompida após uma infecção que provocou uma nova internação.
Desde abril, o estado de saúde vinha se agravando.
Ao longo do tratamento, a rotina da família passou a ser compartilhada nas redes sociais pela viúva, Keidna Marques. Em publicações frequentes, ela mostrava etapas da recuperação, mensagens de apoio e momentos do cotidiano ao lado do marido.
Depois da confirmação da morte do piloto, Keidna publicou homenagens de despedida. Em uma das mensagens, mostrou a última foto que tirou de Felipe: uma tatuagem com o nome dela acompanhado da frase “my love” (“meu amor”, em português).
Na publicação, ela relembrou o momento em que o policial a surpreendeu ao mostrar o desenho.
“Você sempre teve o seu jeito de demonstrar amor… nos gestos, nas atitudes, nos detalhes que ficavam guardados na memória”, escreveu.
Homenagem na Alece
A morte do piloto também foi lembrada na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece). Na abertura da sessão plenária desta terça-feira (19), deputados realizaram um minuto de silêncio em homenagem ao agente da Polícia Civil.
A homenagem foi proposta pela deputada estadual Martha Rocha (PDT), ex-chefe da Polícia Civil do Rio. Durante a sessão, ela sugeriu ao presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), a concessão da Medalha Tiradentes post mortem ao piloto.
“A trajetória do Felipe foi exemplar. Ele viveu o que o hino da Polícia Civil diz: colocar a sua vida em prol da população.
E nada mais justo do que também homenagear esse servidor com uma Medalha Tiradentes”, afirmou Martha Rocha.
Douglas Ruas declarou que a homenagem será concedida e destacou o comprometimento do policial durante a carreira.
“Acho que todos nós sentimos muito essa perda. O comandante colocou a própria vida em defesa da sociedade de bem do Estado do Ceará.
Ele esteve hospitalizado, lutando ao lado da família. Hoje, manifestamos nossa solidariedade, por meio desta Presidência e em nome de todo o Parlamento”, disse o presidente da Alece.
Fonte: Enfoco.
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