'Enquanto a água falta, os lucros sobram': movimentos exigem reestatização frente à Águas do Rio
No dia 23 de março, um dia depois do Dia Mundial da Água, representantes da sociedade civil e movimentos populares se reuniram em frente à sede da Águas do Rio, no centro do Rio, para exigir o fim do contrato de concessão da empresa privada e a reestatização do saneamento.
Os manifestantes estenderam faixas com mensagens como “Acabar com o contrato da Águas do Rio”, “Enquanto a água falta, os lucros sobram!” e “Reestatize água e esgoto”. O protesto denunciou a baixa qualidade do serviço e os preços abusivos desde a privatização da Cedae, realizada pelo então governador Cláudio Castro em 2021.
“Hoje, 23 de março de 2026, nós — movimentos sociais e organizações da sociedade civil — estamos em frente à sede da Águas do Rio para denunciar os abusos cometidos pela empresa em conluio com o governo Cláudio Castro”, afirmou Suelen Souza, da coordenação nacional do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens).
Após quatro anos do contrato, segundo Souza, os problemas se multiplicaram: aumentos tarifários 24% acima da inflação; mais de 100 mil ações na Justiça — 70 por dia. Enquanto isso, os quatro diretores da empresa recebem cerca de R$ 368 mil mensais cada um.
A Águas do Rio agora pede reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, alegando erros nos indicadores de cobertura de esgoto. “Como esse erro passou? Após três anos, o governo Castro diz à Águas do Rio que ‘a Cedae vai pagar’. E agora discute a venda do que restou da Cedae. E quem quer comprar? A Aegea — Águas do Rio”, denuncia o professor João Roberto Lopes Pinto, da Unirio.
A Aegea, controladora da Águas do Rio, pagou R$ 70 milhões em propinas em seis estados, incluindo o Rio, segundo o protesto. Em três anos, a empresa obteve R$ 1,7 bilhão em lucro, dos quais 70% foram para acionistas: Itaú, Singapore Fund e Equipav.
“Quando falamos de água, lembramos dos nossos antepassados. É como o samba que diz: ‘lata d’água na cabeça: lá vai Maria’. Nós, que vivemos em favelas, ainda carregamos a dor de ver nossas avós e antepassadas carregando água”, afirmou Nélio Lopes, coordenador do Projeto Socioeducativo Haroldo de Andrade, em Barros Filho — terceira menor pontuação de IDH no município.
Com informações de RioOnWatch.
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