Lula oficializa candidatura e pode chegar a 16 anos como presidente

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Lula oficializa candidatura e pode chegar a 16 anos como presidente


O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste domingo (2) a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A convenção nacional ocorreu em São Paulo (SP) e confirmou o nome do petista para a disputa de outubro.

Se eleito, Lula cumprirá o quarto mandato no Palácio do Planalto e chegará a 16 anos como presidente do Brasil. Ele ficará atrás apenas de Getúlio Vargas, que governou o país por pouco mais de 18 anos, mas foi eleito pelo voto direto apenas uma vez.

O atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, já havia sido confirmado pelo PSB como candidato à reeleição na chapa do petista na semana passada.

Trajetória de vida

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns (PE). É o sétimo filho dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu. Aos 7 anos, mudou-se com a mãe e os irmãos para São Paulo em um caminhão pau de arara.

Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica. Foi nesse ambiente que começou sua trajetória no movimento sindical.

O petista é casado com a socióloga Janja da Silva, sua terceira esposa. Antes, foi casado com Maria de Lourdes da Silva, que morreu em 1971, e com Marisa Letícia Lula da Silva, que faleceu em 2017 após um AVC. Lula é pai de cinco filhos.

Desafios de saúde

Ao longo do mandato, Lula enfrentou problemas de saúde. Em 2023, passou por cirurgia no quadril para tratar dores de artrose. Em 2024, sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, que o levou a cancelar compromissos internacionais.

Em 2025, apresentou um quadro de labirintite e, em 2026, retirou uma lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de sessões de radioterapia. Antes, em 2011, já havia superado um câncer na laringe.

Terceiro mandato e crises

Lula iniciou o terceiro mandato recriando ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e dos Povos Indígenas.

O petista enfrentou crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024.

Recentemente, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a Polícia Federal a investigar suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.

Em junho, Lula teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias do Banco Master.

Na economia, o governo aprovou a reforma tributária e ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda. O Brasil saiu do Mapa da Fome e houve ampliação de programas de moradia e transferência de renda.

Lula também lidou com crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária dos Estados Unidos. A resposta ao tarifaço norte-americano e os embates com Donald Trump marcaram o mandato.

O presidente foi criticado por sua estratégia econômica, com aumento dos gastos públicos e ataques ao Banco Central por causa da taxa de juros. No Congresso, sofreu derrotas, como a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF e a derrubada de vetos, incluindo o que barrava a redução de penas para condenados pelo 8 de Janeiro.

Se reeleito, Lula poderá indicar pelo menos outros três ministros da Suprema Corte.

Movimento sindical

Metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP), Lula ingressou no movimento sindical por influência do irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico. No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ocupou cargos até se tornar presidente.

Ganhou projeção nacional ao liderar as greves da categoria no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar. Os movimentos mobilizaram milhares de trabalhadores e marcaram a luta por melhores condições de trabalho e pela redemocratização.

Em 1980, Lula foi preso por 31 dias com base na Lei de Segurança Nacional. No mesmo ano, participou da fundação do PT, ao lado de sindicalistas, intelectuais e lideranças políticas. Sua então esposa, Marisa Letícia, costurou a primeira bandeira do partido.

Derrotas e vitórias

Em 1982, Lula disputou o governo de São Paulo, mas não foi eleito. Quatro anos depois, venceu a disputa para deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte, que redigiu a Constituição de 1988.

Em 1989, concorreu pela primeira vez à Presidência e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello. Voltou a disputar em 1994 e 1998, perdendo para Fernando Henrique Cardoso.

Em 2002, Lula divulgou a ‘Carta ao Povo Brasileiro’, comprometendo-se a manter as contas públicas sob controle. No mesmo ano, conquistou sua primeira vitória. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a assumir a Presidência.

No primeiro mandato, lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni. Em 2005, o Mensalão veio à tona, com denúncias de compra de apoio político. Mesmo assim, foi reeleito em 2006, em período de economia aquecida.

No segundo mandato, lançou Minha Casa, Minha Vida e o PAC, programas que reeditou no terceiro. Na política externa, foi chamado de ‘o cara’ por Barack Obama. Deixou a Presidência em 2010 com 87% de aprovação, sendo sucedido por Dilma Rousseff.

Segundo g1.globo.com, a trajetória de Lula é marcada por superação e liderança, e a oficialização da candidatura reforça sua busca por mais um mandato.

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