Ceará tem três das dez cidades mais violentas do Brasil em 2025, aponta Anuário

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Maranguape

Ceará tem três das dez cidades mais violentas do Brasil em 2025, aponta Anuário


O Anuário de Segurança Pública de 2026, divulgado na quinta-feira (23), revela que três cidades cearenses estão entre as dez com maiores taxas de mortes violentas intencionais do Brasil em 2025. Maranguape (CE) lidera o ranking pelo segundo ano consecutivo, com 100,3 mortes a cada 100 mil habitantes, superando a taxa de 80 registrada em 2024.

Além de Maranguape, outras duas cidades do Ceará aparecem na lista das mais violentas: Caucaia e Maracanaú. As dez cidades com maiores taxas estão todas no Nordeste, sendo metade na Bahia, três no Ceará, uma em Pernambuco e uma na Paraíba, segundo o g1.globo.com.

Em contrapartida, o estado do Ceará apresentou queda de 7,5% na taxa geral de mortes violentas, passando de 37,5 para 34,7 por 100 mil habitantes. Apesar disso, o estado ainda ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de violência, atrás do Amapá (42,5) e da Bahia (36,8).

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou, em nota, que os investimentos realizados no último ano já resultaram em redução expressiva nos índices de crimes violentos no primeiro semestre de 2026. Em Maranguape, a queda foi de 97,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Em Maracanaú, a redução chegou a 90,9%, e em Caucaia, 56,8%.

O Anuário, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), classifica como mortes violentas intencionais os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes cometidas por policiais.

No cenário nacional, o Brasil registrou o menor número de assassinatos desde 2012, com 40.775 vítimas em 2025, uma queda de 8% em relação a 2024. Pela primeira vez, a taxa de mortes violentas no país ficou abaixo de 20, atingindo 19,1 por 100 mil habitantes.

Entre os estados, Santa Catarina tornou-se o menos violento, com taxa de 7,6, superando São Paulo (7,8), que liderava desde 2014. Já o Amapá manteve-se como o mais violento, mesmo com redução de 6% na taxa.

O especialista David Marques, gerente de programas do FBSP, destacou que São Paulo e Santa Catarina são exemplos de redução significativa da violência. ‘São bons indicativos. O caso de São Paulo é muito bem conhecido, mas o caso de Santa Catarina pode ser mais bem explorado’, afirmou.

O Anuário também apontou recorde de feminicídios em 2025, com quatro mulheres mortas por dia, em média. Outros indicadores de violência contra a mulher cresceram: violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%).

As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%. Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%, e os casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens.

O sistema prisional brasileiro chegou a 964 mil pessoas, um crescimento de 6%, e a previsão é que ultrapasse 1 milhão em 2027. Há 2,1 milhões de pessoas autorizadas a ter armas, sendo 1 milhão de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores), e 1,6 milhão de armas cadastradas, com três em cada dez com registro vencido.

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