Foto: Photo by Samuel Costa Melo on Unsplash
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia fez nesta segunda-feira (27) uma defesa enfática da democracia brasileira e afirmou que ninguém deve interferir nas decisões do país. A declaração ocorreu durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Sem mencionar diretamente líderes estrangeiros, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado de tentar interferir nas eleições brasileiras, a ministra disse que cabe aos brasileiros definir os próprios rumos. Ela também alertou contra tentativas de fragilização das instituições democráticas.
‘Há que haver espaços como este, reuniões como essa, que dão a demonstração daqueles vetores, daqueles temas mais importantes para que a gente caminhe e fortaleça a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo, para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia’, afirmou, segundo o g1.globo.com.
A ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou que a vontade do povo brasileiro deve ser soberana: ‘Somos nós que temos que falar o que é para nós no Brasil, o que nós queremos’, disse.
Memória da ditadura
Ao longo do discurso, Cármen Lúcia relembrou sua experiência durante a ditadura militar e destacou o papel de instituições como a SBPC como espaços de resistência e debate em um período de restrições às liberdades.
‘Eu, no período em que fui estudante, algumas instituições eram nossa voz, porque estávamos com a boca amordaçada. Proibidas de pensar’, declarou.
Segundo a ministra, as eleições da entidade científica mobilizavam a sociedade porque representavam uma oportunidade de manifestação em um período de repressão política. ‘As eleições da SBPC eram aguardadas por nós, eram de conhecimento do Brasil inteiro. Cumpria a voz de ser daqueles que não podiam levantar sua voz’, afirmou.
Defesa das urnas eletrônicas
Cármen Lúcia também associou a democracia ao exercício do voto e voltou a defender a confiabilidade da urna eletrônica. Ao comentar o lançamento de um livro sobre a Constituição, ela disse que, diferentemente dos regimes em que as decisões eram tomadas por monarcas, na democracia a vontade popular se manifesta por meio das eleições.
‘Antes era por um rei. Hoje o povo, pela sua mão, diz o que quer’, afirmou. ‘Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável. Feita pelo Brasil e pelo povo.’
A ministra não citou as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com acusações às urnas eletrônicas já desmentidas pelo TSE.
O discurso de Cármen Lúcia ocorre em meio ao período eleitoral de 2026, quando o debate sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro volta à tona. A ministra, que presidiu o TSE nas eleições de 2020, é uma das vozes mais ativas na defesa do processo eleitoral brasileiro.
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