Foto: Photo by Matheus Natan on Pexels
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a área internacional do tribunal foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de integrantes do governo norte-americano. Segundo o tribunal, no entanto, o assunto do encontro não foi informado.
A agenda não foi marcada por conta do recesso do Judiciário. O TSE também não confirmou se os diplomatas que tiveram vistos negados pelo Itamaraty são os mesmos que procuraram o tribunal.
Nesta sexta-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os pedidos de visto solicitados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos, de acordo com informações obtidas pelo blog do Valdo Cruz.
A viagem das autoridades americanas estaria prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais do país, agendadas para 4 de outubro. Segundo fontes da diplomacia, o Brasil tem tradição de receber observadores internacionais nas eleições, mas a avaliação é que os norte-americanos não eram observadores, na verdade tinham ‘outro papel’.
Na avaliação de assessores presidenciais, a decisão do secretário de Estado Marco Rubio de enviar a missão no momento em que Flávio e Eduardo Bolsonaro levantaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas mostra que eles estavam combinando uma operação para descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro.
Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro teve uma reunião com representantes de cerca de 40 países em um evento privado na última semana. Durante o encontro, ele afirmou que o Brasil utiliza urnas fabricadas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes, informação já desmentida pelo TSE. O senador nega estar questionando o sistema eleitoral, mas defendeu que os países presentes enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil.
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a tentativa de missão como ‘escandalosa’ e ‘inusitada’. Para integrantes da Corte, a iniciativa representaria uma tentativa de interferência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras e no processo eleitoral do país. Os magistrados também defendem uma reação do TSE à tentativa de enviar a missão americana.
O TSE informa ainda que, na semana passada, o presidente do tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, se reuniu com 25 embaixadores, ocasião na qual defendeu e explicou o funcionamento do sistema eletrônico de votação brasileiro. Segundo o tribunal, no próximo mês o TSE vai promover um novo encontro com embaixadores, e a diplomacia dos EUA será convidada, além de todos os países com representação no Brasil. Na ocasião, o presidente do TSE deve voltar a falar sobre o funcionamento da urna eletrônica.
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